“Às vezes tem um suicida na sua frente e você não vê”

14 de Set / 2017
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, todo ano, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio, enquanto muitas outras tentam, em vão, tirar a própria vida. No Brasil, estima-se que 40% dos casos não sejam notificados. Mesmo assim, acontece um suicídio a cada 40 minutos.
Mas se as taxas assim são tão preocupantes, por que nós só falamos sobre quando os casos mais extremos e chocantes quando vêm à tona?
 “Às vezes tem um suicida na sua frente e você não vê”.
O que faz alguém se matar?
O suicídio não é um desvio moral ou uma falha de caráter, mas sim uma atitude extrema resultante de um transtorno grave com causas psíquicas e/ou emocionais.
“Ele é o último dos sintomas de um quadro gravíssimo que abala todo o pensamento, assim como o infarto é o último sintoma de uma doença cardíaca não diagnosticada”.
O suicídio é uma questão fisica, desencadeada por alguns maus funcionamentos do organismo: “É uma modificação dos neurotransmissores, uma alteração neuroquímica mental e já é conhecida a genética que determina o mau funcionamento físico de um neurônio”.
Transtornos que precedem o suicídio
Em meio a esse mau funcionamento do corpo humano, podem surgir diversos distúrbios que, posteriormente, desencadearão o comportamento suicida. O motivador mais comum é a depressão grave, seguida pelos transtornos psicóticos, como a esquizofrenia, e, depois, pelos transtornos de personalidade.
As depressões mistas – que unem episódios de depressão e de mania, como inquietação e euforia – são as que mais causam o abatimento psíquico, marcado pela dificuldade de pensar, elaborar e decidir, associado à agressividade, à violência e ao isolamento. “Existe, nesses quadros, um inquietude muito intensa e desorganizada”.
Degradação mental progressiva
Com a evolução da doença mental, o comportamento da pessoa tende a mudar. Não existe uma regra, as alterações dependem da personalidade prévia. “O extrovertido vai falar sobre a morte, coisas como ‘a vida não tem mais sentido’, passar a se isolar mais, enquanto quem já era introvertido tende a ficar ainda mais isolado”.
Pode ocorrer também um desapego em relação às suas coisas, seus valores sociais e afetivos e seus relacionamentos. “Vai havendo um desligamento, porque a dor vai ficando muito grave e insuportável”
O abuso de álcool e drogas ilícitas é um agravante para os quadros mentais. Além disso, apesar de haver uma intenção e planejamento para o ato suicida, ele costuma ser desencadeado por um impulso, mais fácil quando se está sob ação dessas substâncias.
É importante ressaltar que nem toda doença mental se transforma em suicídio. Quanto antes o problema for detectado, maiores são as probabilidades de um desfecho positivo. E se olharmos de frente para a questão estigmatizada da doença mental e do suicídio, maiores são as nossas chances de diminuir sua incidência.
#setembroamarelo





Letícia Balduino

CRP 09/8366 Psicóloga Clínica graduada pela Unip/GO, Pós-graduada em Trânsito credenciada pelo Detran, Pós-graduada em Neuropsicológica, Avaliação Neuropsicologica ( criança, adolescentes e adultos ), Problemas no aprendizado; Dislexia; Transtorno de déficits de atenção e hiperatividade (TDAH); Distúrbios mentais; Perda de habilidades motoras; Transtorno cognitivo leve; Demências e/ou diagnóstico diferencial para depressão; Alteração cognitiva após AVC (Acidente Vascular Cerebral) e após TCE (Traumatismo Crânioencefálico), Tutora Cogmed ( treinamento de Memoria Operacional ), Orientação Vocacional, Curso em ênfase em Educação Especial e Distúrbios de Aprendizado, Curso em ênfase na Terapia Cognitivo Comportamental para depressão, transtornos do humor, alimentares, ansiedade, fobias, estresse, dependência química e adicções contemporâneas, Psicoterapia individual com crianças, adolescentes e adultos.

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