Os comportamentos dos casais que vivem a violência psicológica, moral, sexual, patrimonial ou física mostram que, no início da relação, aos primeiros sinais do ciúme, acreditavam que era “sinal de amor”

04 de Set / 2017
Se quisermos dar um golpe mortal na violência doméstica ou entre parceiros íntimos, precisaremos analisar em profundidade as situações que permitem que a violência ocorra. Embora conscientes de que muitas variáveis estejam envolvidas nestes processos, faremos um “zoom” num aspecto que merece atenção especial: o ciúme doentio do parceiro.



Para esclarecer o termo ciúme, neste momento, definiremos como o sentimento doloroso de ameaça de perda de algo que se possui. Na opinião de muitos, o ciúme é natural, normal e inclusive inevitável, mas o que mais importa aqui não é a natureza da emoção em si e sim como o ciumento e o outro parceiro lidam com ela.

Os comportamentos dos casais que vivem a violência psicológica, moral, sexual, patrimonial ou física mostram que, no início da relação, aos primeiros sinais do ciúme, acreditavam que era “sinal de amor”; às vezes, até mais do que isto, ele era visto como uma prova de amor, como se fosse parte integrante e inseparável da vivência do amor. E qual é o problema de pensar assim? Isto abre uma brecha – faz com que as cobranças ou hostilidades geradas pelo ciúme se tornem toleráveis.

Esta análise cabe perfeitamente para qualquer gênero, já que o ciúme não é característico de um só. O parceiro ciumento que usa o seu ciúme para hostilizar o outro, a quem diz amar, está sendo, no mínimo, absolutamente incoerente. Pode-se afirmar que lhe falta competência emocional para não permitir que seu ciúme prejudique o relacionamento, mas olhando por outro ângulo, também podemos inferir que A esteja se aproveitando da crença geral de que o ciúme é normal, aprovável e até desejável, para buscar ter poder e influência.

Prova disto acontece quando um passa a exigir mudanças de outro e até o culpa pelo seu sofrimento. E, numa competição de poder perigosa com algum se sente ameaçado pela perda, passa agora a hostilizar, utilizando-se de várias artimanhas para confundir e dominar. Aqui entramos no terreno da violência entre parceiros íntimos e da tortura psicológica. Esta é uma armadilha que pode aprisionar e levar o casal cada vez mais para o desgaste da relação.

Óbvio que não há uma forma única de lidar com estas situações, mas um destes modos é que se observe e analise que seu comportamento mantém o círculo vicioso e decida interrompê-lo, não mais compactuando com o conflito. Mas, se A insistir no mesmo comportamento, talvez valha a pena ambos ou algum considerar a possibilidade de pedir ajuda profissional para lidar com os conflitos e sofrimentos.



Letícia Balduino

CRP 09/8366 Psicóloga Clínica graduada pela Unip/GO, Pós-graduada em Trânsito credenciada pelo Detran, Pós-graduada em Neuropsicológica, Avaliação Neuropsicologica ( criança, adolescentes e adultos ), Problemas no aprendizado; Dislexia; Transtorno de déficits de atenção e hiperatividade (TDAH); Distúrbios mentais; Perda de habilidades motoras; Transtorno cognitivo leve; Demências e/ou diagnóstico diferencial para depressão; Alteração cognitiva após AVC (Acidente Vascular Cerebral) e após TCE (Traumatismo Crânioencefálico), Tutora Cogmed ( treinamento de Memoria Operacional ), Orientação Vocacional, Curso em ênfase em Educação Especial e Distúrbios de Aprendizado, Curso em ênfase na Terapia Cognitivo Comportamental para depressão, transtornos do humor, alimentares, ansiedade, fobias, estresse, dependência química e adicções contemporâneas, Psicoterapia individual com crianças, adolescentes e adultos.

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