O nosso racismo disfarçado está sempre pronto para apertar o laço dos mesmos pobres e pretos.

23 de Jun / 2017
Final do século XIX. Surge um estilo musical sinônimo de festa, barulho e confusão. Era o samba, considerado então criminoso e maldito, coisa de pobre e de preto. Os adjetivos vil, de mau gosto, chulo e fora da lei foram fundamentais para condenar seus praticantes à prisão por vadiagem. 




A então recente abolição da escravatura obrigara a elite a conviver com os ex escravos sem a hierarquia praticada até pouco mais de 50 anos atrás. Classificou-se sua cultura em Cultura das Elites e a deles como a Cultura Popular, essa associada ao negativismo. Revivemos os mesmos gestos de um país racista que esconde seu racismo na sua suposta “alegria” e aceitação do samba em tudo, de comerciais de cerveja a comemorações institucionais. Pensemos para além do gosto pessoal de cada um. 

O nosso racismo disfarçado está sempre pronto para apertar o laço dos mesmos pobres e pretos. Agora se chama funk e já corre processo para transformar o funk em crime. E a história se repete. Já foi assim com o carnaval, que novamente está sob a foice fundamentalista das elites, desta vez, religiosas. A cultura popular, a dos pobres e pretos está todos os dias sob o ataque daquela outra cultura que é considerada a “boa” cultura, a que deve prevalecer. Sempre com muitos argumentos morais. Mas é só o trator do racismo que passa e joga tudo no chão.



Letícia Tavares

Doutoranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Goiás, mestre em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2003), com dissertação comparando aspectos das línguas inglesa e portuguesa, é especialista em Linguística de texto e ensino também pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. É professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesado Instituto Federal Goiano Câmpus Urutaí em Urutaí GO. Tem experiência como coordenadora de curso de Letras; como membro de equipe na montagem de projetos pedagógicos e de currículos, como membro de avaliação e estágio e como docente nas disciplinas de Lingüística, Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Prática de Ensino em Língua Inglesa, Estágio Supervisionado e Metodologia da Pesquisa Científica. Orientou pesquisas em Análise do Discurso, em estudos interdisciplinares, estágio supervisionado, leitura e em descrição da língua portuguesa e inglesa. Principais temas: Análise do Discurso, gestão e coordenação de curso superior, projetos interdisciplinares, leitura, estágio, descrição das línguas portuguesa e inglesa.

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